Histórias da Minha Vida: O Sonho Klabin e a Dignidade da Nossa Gente

Fotografia antiga em tom envelhecido mostrando trabalhadores rurais em um caminhão Mercedes-Benz vermelho com carroceria de madeira. Vários homens estão em pé na caçamba do veículo e, em primeiro plano, dois homens usando chapéus de caubói posam em pé ao lado da cabine, registrando o transporte de operários nos acampamentos.

O “Sonho Klabin” começou muito antes de a empresa se instalar aqui no Paraná. Mas a nossa história — a história que realmente importa — é feita pelos funcionários, pelos moradores dos acampamentos e pelas pessoas da cidade que prestavam serviços a ela. Não há como falar da empresa sem falar daqueles que deixaram o suor no trecho.

Fotografia antiga em tom envelhecido mostrando cinco trabalhadores florestais posando em pé em meio a uma plantação de pinheiros. Eles usam capacetes de proteção amarelos e brancos, e um deles veste uma camiseta com o logotipo antigo da Klabin. Ao fundo, há uma barraca de lona improvisada na mata, registrando o cotidiano dos operários do reflorestamento.

Se prestarmos atenção nas fotos antigas que guardo com tanto carinho, veremos rostos cansados, mas com um sorriso estampado. Muito além do sofrimento físico da lida, existia a necessidade e a obrigação sagrada de cuidar da família. Pior do que o cansaço do trabalho pesado era o medo de um filho pedir um pedaço de pão e o pai não ter condições de comprar.

Então, sim: aquele povo era feliz! O serviço era difícil, pesado, braçal e exaustivo, mas quem viveu aquele tempo sabe o orgulho que dava na boca ao responder: *”Eu trabalho na Florestal ou Eu trabalho na Klabin” Por volta dos anos 70, esses eram praticamente os únicos empregos que existiam na nossa região.

Fotografia antiga mostrando um grupo de operários florestais posando para foto ao redor de um trator vermelho em uma estrada de terra. Vários homens usam capacetes de proteção, alguns estão sentados no trator e outros em pé ao lado da carretinha de madeira carregada com grandes tambores de metal, com uma floresta de pinheiros ao fundo.
Fotografia antiga mostrando um caminhão Ford azul com carroceria de madeira e lona laranja na caçamba, usado para o transporte de trabalhadores. Três rapazes posam em pé apoiados na frente do veículo em uma estrada de terra, enquanto outros homens aparecem na caçamba e na lateral do caminhão, registrando o cotidiano dos operários rurais.

Conforme o tempo foi passando, o salário dos funcionários começou a movimentar a terra. Surgiram os comércios, as padarias, os mercados… e foi assim que o progresso bateu à nossa porta.

Mas mesmo com o crescimento da cidade, o brilho nos olhos ainda era a Florestal.

Minha recordação mais forte começa aos 9 anos de idade. Lembro perfeitamente do orgulho do meu pai em saber que estava empregado, em ter a certeza de que, no final do mês, o seu salário estaria garantido.

Fotografia antiga mostrando quatro mulheres trabalhando em um viveiro florestal de mudas. Elas usam uniformes de manga longa e chapéus de palha para proteção solar, posicionadas entre canteiros organizados cheios de pequenas mudas de árvores. Ao fundo, há uma cerca de madeira e uma floresta de pinheiros.

 Eu sou muito grato a essa época. Graças a esse suor, eu tinha uma casa para morar, uma escola próxima para estudar e alimento na mesa.

Esse era o motivo do agradecimento do meu pai, e esse era o orgulho de todos os pioneiros. Eles tinham somente o básico, mas, com muita força de vontade e fé em Deus, conseguiram criar seus filhos e construir a nossa história.

— Valdecir Bueno (Viagens, Sonhos e Fantasias).

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