Acampamentos: Sonhos e Preocupações
Hoje vamos falar dos acampamentos de modo geral. Não vou citar nomes, pois foram muitos e seria uma grande injustiça esquecer de algum.
No passado, todo trabalhador sonhava em levar sua família para morar em um acampamento. E esse sonho realmente fazia todo o sentido: a qualidade de vida era excelente, a educação para as crianças era de primeiro mundo e o emprego para os filhos era praticamente garantido.
Além de tudo isso, o trabalhador não tinha custos com moradia e conforto; a única despesa era a compra do mês.
Mas, a partir de 1991, alguns dos acampamentos mais antigos começaram a chegar ao fim. Já se ouvia o boato de que todos seriam desativados — o que, com o tempo, realmente aconteceu.
Foi aí que a preocupação bateu na porta: o medo do desemprego e a angústia de ter que deixar o acampamento.0Alguma opinião sobre isso?x
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Eu lembro muito bem que meu saudoso pai, Manoel (conhecido como Manoel Guardião), quando soube dos boatos de que o acampamento iria acabar, ficou profundamente preocupado e pensativo.
Lembro de ouvi-lo sussurrar algumas vezes com a minha mãe: “Para onde vamos morar? Como vou fazer? Meu salário não dá para pagar aluguel… Não tenho como pagar prestação de uma casa. Como vamos fazer para pagar água e luz?”.
Essas palavras do meu pai, tenho certeza, eram o pensamento atormentado de muitos outros pais de família da época.
Foi um tempo de sofrimento e incerteza. Ninguém sabia como se comportar ou como se preparar para aquela nova realidade.0Alguma opinião sobre isso?x
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Mas, do outro lado, estava a grande empresa Klabin, que nunca desamparou os seus bons funcionários. É lógico que a solução que ela propôs de início não agradou a todos — na verdade, agradou a uma minoria na época.
Porém, com o passar dos anos, o povo percebeu que foi a melhor opção e a maior oportunidade oferecida pela empresa: construir as casas e vendê-las parceladas, com desconto direto na folha de pagamento.
Alguns anos depois, todos já tinham quitado suas casas. Foi um investimento fantástico! Para quem não tinha onde morar, terminar com uma casa de madeira de três quartos, sala, cozinha, banheiro e lavanderia, totalmente quitada, mudou tudo.
A nossa gente viu que era capaz de muito mais. Muitos, inclusive, transformaram suas vidas porque aprenderam a caminhar com as próprias pernas, no dia em que soltaram a mão da Klabin — ou que a Klabin soltou a mão deles.0Alguma opinião sobre isso?x
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— Valdecir Bueno (Viagens, Sonhos e Fantasias).