Domingo de 1996: O Lendário Torneio no KM 28
Logo cedo, às 07h30 da manhã, o ponto já estava daquele jeito: mais de 50 pessoas animadas esperando o ônibus da Florestal, o modelo antigo de prefixo *LAU-1000*.
Juntos, iam mais de 28 atletas, entre os jogadores do quadro titular e do aspirante. O bom do futebol daquela época era isso: o pessoal viajava para outro acampamento sem custo nenhum de transporte, a única despesa era o consumo próprio.
A diversão já começava na estrada e era garantida, independentemente de ganhar ou perder. O ônibus virava uma festa, com os próprios jogadores e a torcida soltando a voz na cantoria.
Conversas animadas, causos e aquela boa mentirada rolavam à vontade. Mas, muito além de tudo isso, existia uma amizade, um companheirismo e um respeito admiráveis entre todos.
Naquela época, viajavam juntos os jogadores, as mulheres, as crianças e os adolescentes e, sinceramente, não me lembro de uma confusão sequer.
Tudo era muito bem organizado pelos responsáveis dos times ou do clube, e o mais bonito de ver era o respeito mútuo.
Seguindo a viagem, assim que chegávamos ao destino, os jogadores já saíam correndo para o campo. A vontade de tocar na bola e correr era tanta que a ansiedade tomava conta.
Era também o momento do reencontro com velhos amigos, já que muitos se enfrentavam nos gramados e nos campos de reflorestamento há décadas. Juntar aquela gente era como reunir uma grande família de mais de 300 pessoas em uma chácara.
Quando o jogo começava, a disputa era acirrada e pesada. Apesar de grandes amigos e quase irmãos na vida, ali dentro das quatro linhas éramos adversários — eu disse adversários, jamais inimigos!
Era todo mundo de cara fechada, carrinho corrido e muita disputa na bola. Mas assim que o juiz apitava o fim da partida, por mais que o perdedor ficasse triste, o abraço apertado e os parabéns ao parceiro nunca faltavam.
A festa se estendia, algumas vezes, até a noite. Após o torneio, o destino certo era o churrasco, a cerveja e o refrigerante.
Os adversários do campo viravam parceiros de mesa e, logo em seguida, adversários no truco! A prosa ia até as 22h para o time da casa, enquanto os visitantes pegavam a estrada de volta com a bagagem cheia de novas histórias, relatos e estratégias para o próximo domingo.
Afinal, no domingo seguinte o compromisso já estava agendado em outro acampamento, e a engrenagem seguia a todo vapor.
Esses momentos inesquecíveis contavam com o apoio e patrocínio do Sindicato Rural de Telêmaco Borba e também da Klabin (na época, IKPC).
Eles eram os principais apoiadores porque o Sindicato sempre buscou dar o máximo de suporte aos trabalhadores, e a Klabin entendia que o funcionário precisava de lazer, de uma vida familiar rica em desafios, diversão, aprendizado e saúde.
Fica aqui a minha eterna gratidão a todos que fizeram parte da nossa história e participaram de nossas vidas!
— Valdecir Bueno (Acervo Bueno / Viagens, Sonhos e Fantasias)