Ainda Criança para o Primeiro Emprego: A Florestal era o Sonho nas Décadas de 60 a 90
Por volta dos anos 50 e 60, o transporte florestal era feito por caminhões. No início, era apenas um caminhão com grades na carroceria e, segundo os relatos da época, não havia banco nenhum. O povo ia em pé mesmo.
Mas, como toda boa ideia sempre busca melhorar o conforto e a segurança, anos mais tarde o sistema mudou. Pensando no vento, no frio e no cansaço do trabalhador, inventaram os bancos.
E que bancos! Era uma prancha de madeira grossa atravessada de uma grade à outra. Cabiam em média umas 12 pranchas na carroceria.
Também colocaram uma lona plástica para cortar o vento e proteger da chuva. Naquele tempo, isso já foi considerado um avanço gigantesco para a galera da Florestal.
Os Anos 90 e a Revolução da Segurança
Mas os avanços não param e as ideias continuam surgindo. Já nos anos 90, a segurança do trabalho passou a ser muito cobrada.
O que já tinha melhorado com a lona e as pranchas de madeira precisava evoluir. A tecnologia e a criatividade entraram em cena: em vez de grades e lonas, por que não usar caminhões baú? E, melhor ainda, por que não começar a usar ônibus de viagem aposentados
Eram carros que já estavam ultrapassados para o asfalto das rodovias, mas que para as estradas florestais representavam um sonho, um conforto que uma década antes ninguém jamais imaginaria ser possível.
Toda essa mudança aconteceu graças aos estudos, à ajuda dos técnicos de segurança do trabalho (profissão que estava iniciando na época) e à cobrança firme do Sindicato Rural.
Não vou citar nomes para não esquecer ninguém, mas o Sindicato, a Klabin, os técnicos, engenheiros e os próprios chefes e encarregados foram essenciais para que isso fosse possível.
Os caminhões de carroceria aberta foram vendidos, e em seus lugares entraram os ônibus ou os caminhões adaptados com baú. Tudo melhorou.
Junto com o maquinário novo e as leis trabalhistas, chegou ao trabalhador rural o conforto que ele tanto queria.
O Preço do Progresso: O Desafio do Barro
Mas, como nem tudo são flores, a estrada cobrou o seu preço. Os caminhões antigos, e até alguns caminhões traçados, cortavam o barro e seguiam firmes na lida; poucas vezes precisavam que os próprios passageiros descessem para empurrar.
Com os ônibus, a história mudou. Por serem ônibus aposentados de viagens rodoviárias — que mesmo com a manutenção em dia e em boas condições já não podiam rodar no asfalto por causa do ano de fabricação —, eles não tinham a mesma força no chão batido.
Em tempos de muita chuva, o barro pesado das estradas rurais fazia os ônibus encalharem. Eles dependiam totalmente da força e da ajuda dos trabalhadores para sair do lugar.
Por causa desses atoleiros, muitas vezes os funcionários só conseguiam chegar em casa perto da meia-noite, ou até mais tarde, cansados da lida e do barro. Era o preço do progresso.
Por Valdecir Bueno (Viagens, Sonhos e Fantasias)
O Começo de Tudo: Vento no Rosto e Pranchas de Madeira