O GIGANTE FERROVIÁRIO EM HARMONIA: Início do progresso em Monte Alegre

Fotografia panorâmica em sépia de uma rua curva de terra em Telêmaco Borba. No lado esquerdo, uma fileira de casas de madeira com telhados de quatro águas. No centro e à direita, pessoas com roupas de época estão paradas em frente a outras construções de madeira. A imagem transmite o clima pacato do início da vila operária.

 A Era da Ferrovia em Harmonia: Potência e Progresso

 O ramal de Monte Alegre começou a ser construído pela RVPSC em outubro de 1942, com o objetivo de conectar a estação de Joaquim Murtinho (atual Raul Mesquita) à fábrica de papel e celulose da Klabin, localizada na Fazenda Monte Alegre, às margens do rio Tibagi.

 O primeiro trecho da ferrovia entrou em funcionamento em 1949, alcançando Barro Preto. Porém, apenas em 1958 os trilhos chegaram até a fábrica, que já estava em atividade há aproximadamente uma década. Havia planos de expandir o ramal para outras cidades, mas essas extensões nunca foram executadas.

Fotografia histórica em preto e branco mostrando operários e carroças de tração animal em um canteiro de obras de terra batida. Em primeiro plano, destacam-se duas carroças de madeira com grandes rodas de raios atreladas a cavalos, além de um grupo de trabalhadores alinhados ao centro e um pequeno bode no chão. Ao fundo, avista-se o complexo de uma fábrica antiga com grandes galpões e uma chaminé industrial alta sob um céu claro.
Uma fotografia vintage em cores, mostra um homem de camisa de manga curta branca e calças escuras, de pé à esquerda, cortando um tronco de árvore maciço e caído na floresta. Ele está usando uma grande serra manual. O tronco é tão grande que sua altura chega quase à cintura do homem. A seção transversal do tronco mostra a madeira clara com anéis de crescimento. O fundo é uma floresta densa com muitas árvores altas e vegetação rasteira verde. Há detritos de galhos secos e madeira picada ao redor do tronco caído. A foto tem uma aparência levemente envelhecida e desbotada, com cores suaves.

A vila operária criada em torno da fábrica de celulose deu origem à chamada “Cidade Nova”, que posteriormente recebeu o nome de Telêmaco Borba.

 O transporte de passageiros funcionou desde os primeiros anos da linha até 1976/77, quando foi desativado. Mesmo assim, os trens cargueiros atenderam á Klabin até meados dos anos 2000 não se sabe a data exata da desativação.

 Na época, o amplo pátio ferroviário tinha capacidade para acomodar cerca de 600 vagões distribuídos em seis linhas.

 Esses vagões eram utilizados principalmente para o transporte de produtos da Klabin, com até três partidas diárias de trens movidos por locomotivas diesel-elétricas. Ao todo, as composições podiam chegar a 180 vagões destinados principalmente aos estados de São Paulo e Rio de Janeiro.

Fotografia histórica em tom sépia mostrando dois caminhões antigos dos anos 1950 carregados com toras de madeira em um terreno de terra batida. À esquerda, um caminhão Ford de cabine clara com dois homens em pé ao lado; à direita, um caminhão Chevrolet de cabine escura com um motorista apoiado na porta. Ao fundo, avistam-se casas de madeira em uma colina e a torre de uma igreja sob um céu claro.
Registro histórico das primeiras casas de madeira construídas na Cidade Nova, em Monte Alegre, mostrando a arquitetura típica da vila operária na década de 40.

Durante a administração de Toledo Neto em Harmonia, uma intensa sequência de chuvas provocou um grande deslizamento de terra sobre aproximadamente 60 metros da ferrovia, bloqueando o tráfego ferroviário.

 O problema ameaçava interromper a circulação dos trens por até duas semanas, segundo previsões da engenharia. Entretanto, graças à iniciativa do chefe da estação, foi autorizada a utilização das máquinas da Klabin para remover a barreira, mesmo sem licitação ou orçamento prévio.

A operação foi concluída no mesmo dia, permitindo a rápida liberação da linha sem custos para a Rede, conforme relatos de Paulino Manfrinato, Antônio Carlos de Toledo Neto e Adélia Grou de Toledo, registrados em janeiro de 2006.

 O encerramento oficial do ramal marcou o fim de uma era, deixando na memória a importância histórica da ferrovia para o desenvolvimento da região.

Fotografia antiga de uma linha de trem de ferro que corta um acampamento ou vila operária. À esquerda, há uma sequência de casas amarelas históricas com fachadas idênticas atrás de uma cerca de madeira. No centro, vagões de carga cobertos por uma lona azul estão sobre os trilhos, com uma estrada de terra ao lado e vegetação verde ao fundo sob um céu com nuvens.
Fotografia antiga mostrando dois meninos andando de bicicleta sobre os trilhos de uma linha de trem desativada em uma vila operária. Ao fundo, vê-se a sequência de casas amarelas antigas com cercas de madeira e uma área de floresta com pinheiros sob um céu nublado, registrando a infância nos antigos acampamentos.

No ano de 1930 e 1940 a região era matas e fazendas, até que a Klabin comprou o local construindo uma fábrica de papel e celulose, mas surgiu uma necessidade de transportar madeiras e máquinas.
Então, começaram os projetos ferroviários da região, os projetos ajudavam muito no transporte das madeiras das áreas de reflorestamento até a fábrica, mas isso além de ligar a outros portos e regiões do Paraná.

Essa fábrica foi oficialmente inaugurada em 1946
As casinhas amarelas perto da estação foram feitas para os trabalhadores que vinham de outras cidades e estados, a empresa ferroviária construiu várias dessas casas para eles morarem com suas famílias.

Fotografia colorida mostrando antigos trilhos de trem desativados e enferrujados sendo engolidos por uma floresta densa e verde. Árvores e plantas crescem entre os dormentes e pedras da antiga ferrovia, simbolizando o abandosto e a ação do tempo nos antigos acampamentos.
Fotografia colorida de uma estrada de terra estreita que corta uma floresta densa com árvores altas. A copa das árvores se encontra no topo, formando um túnel verde natural sobre o caminho de chão batido com folhas secas nas margens, representando as antigas rotas dos acampamentos florestais.

 Elas ficaram conhecidas pelo visual simples, e pela cor amarela, elas foram planejadas em estilo parecido, pois foram construídas rapidamente para atender seus funcionários.

Naquela época era avançado, pois além das casas a empresa ajudava com escola, mercado hospital e lazer aos moradores.

Hoje elas se encontram abandonadas, quase cobertas pelas matas e áreas de reflorestamentos.

História e texto por: Vitoria S. Bueno

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