O Machado Misterioso da Mandaçaia e as Noites no Fogão a Lenha
No Acampamento da Mandaçaia, entre os anos 80 e meados dos anos 90, as noites frias de inverno guardavam mistérios que desafiavam a lógica.
Vários moradores da época relatavam que, pontualmente a partir das 22 horas, começava a ecoar ao longe o som nítido de um machado cortando lenha na mata.
O barulho, apesar de não ser aterrorizante no início, causava arrepios pelo seu ritmo contínuo. A batida seca na madeira seguia firme pela madrugada adentro, sem cessar.
O mais estranho era que o som parecia se mover: em questão de minutos, a batida parecia estar bem pertinho das casas e, logo depois, se afastava tanto que quase não se ouvia mais.
Essa alternância de distância passava a noite inteira acontecendo, como se um lenhador fantasma andasse invisível entre as árvores.
A Mandaçaia sempre foi um celeiro de histórias e lendas de assombração.
Esses causos eram contados pelos nossos avós na beira do fogão a lenha, principalmente nas rigorosas noites de inverno.
Enquanto o fogão trabalhava a todo vapor, com milho assando na brasa e a chapa cheia de pinhão estalando, a piazada ouvia tudo com os olhos arregalados.
Eram tempos passados que jamais voltarão. Histórias contadas por vozes sábias que hoje já não são ouvidas e, infelizmente, não recebem o mesmo crédito de antigamente.
O resultado daquela prosa na beira do fogo era sempre o mesmo: crianças assustadas, suando com a cabeça totalmente coberta embaixo do cobertor até pegar no sono, incomodando os pais no meio da noite por medo de ir ao banheiro sozinhos.
São histórias, sonhos e muitas lendas que o progresso e o tempo tentaram apagar, mas que continuam vivas e guardadas no peito de quem teve o privilégio de viver a verdadeira infância da colônia.
— Valdecir Bueno (Acervo Bueno / Viagens, Sonhos e Fantasias)
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